ARTIGO REVISTA PNWS
ARQUIVO DA REVISTA PNEWS 49
EDIÇÃO 49 - AGO 2005 - Graziela Potenza
Uma feira para marcar posição
A ABR participou da Reman-Recon para mostrar ao público que sua atividade é essencialmente de reciclagem e ambientalmente correta.
A Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR) participou da Feira Automotiva de Peças, Equipamentos e Suprimentos Remanufaturados e Reconstruídos (Expo Reman-Recon 2005), entre os dias 6 e 9 de julho, cujo principal tema da exposição foi a reciclagem e tudo o que abrange esta atividade. “Como a ABR pretende que o segmento de reforma de pneus seja encarado como um segmento verde, a Associação participou da feira para aproximá-la deste conceito”, explica o diretor Executivo da ABR, Germano Badi. Segundo ele, foi a primeira feira internacional mais ampla que abrangeu todos os aspectos de reformas em geral de peças automotivas. Dentro do segmento de automóveis estão os pneus. Nesse sentido, a reforma de pneus é um elemento que faz parte do conceito da feira, pois todas as atividades de renovação, reforma, remanufatura são ambientalmente corretas, ecologicamente positivas e a ABR quis gravar cada vez mais na opinião pública que a reforma de pneu é uma atividade verde, ou seja, uma atividade que favorece o meio ambiente. Durante a feira, foi feita uma campanha institucional, com banners explicando a representatividade do segmento de Reforma do Brasil. O estande da ABR apresentou as várias fases de reforma do pneu para que o público pudesse ver como são feitas. Quem visitou o estande pôde assistir vários vídeos de todo o processo, e ver uma maquete de uma reformadora. “Foi meramente institucional”, afirmou Germano Badi. “Apenas para as pessoas conhecerem, se aproximarem um pouco mais do que é a recauchutagem”. Segundo o diretor Executivo da ABR, a participação no evento proporcionou a oportunidade de aproximar o setor de reciclagem do grande público, que estava totalmente fora da nossa realidade. A ABR mostrou o “Beaba” da reforma e deu a oportunidade para que as pessoas vissem, na prática, como se recicla um pneu. Outro fator importante para a presença da ABR na feira, foi mostrar que o segmento de reforma hoje é um segmento diferenciado, que incorpora alta tecnologia, faz grandes investimentos, com empresas de porte e uma contribuição importante a nível nacional. Seja pelo número de empresas envolvidas, algo em torno de 1.640, seja pelo faturamento que geram. Em 2004, o faturamento girou em torno de R$ 4,3 bilhões com a geração de 80 mil empregos. “Queríamos mostrar para o público que não somos uma aventura”, afirmou Germano Badi. “Somos um setor que atua há mais de 50 anos e com um aprimoramento contínuo tendo dado um salto tecnológico muito grande nos últimos cinco anos”.
Importância internacional
Um dos fatores que mostrou a importância da Reman-Recon foi a presença de dois especialistas em desenvolvimento de negócios do Serviço Comercial Americano, convidados a participar pela Tire Industry Association (TIA). “Nosso escritório é um escritório de fomento à exportação americana e estamos na feira analisando as possibilidades de facilitar os negócios americanos aqui no Brasil”, explicou Tereza Wagner, especialista em Desenvolvimento de Negócios. Outra razão da presença dos dois membros do Serviço Comercial Americano na feira foi o interesse demonstrado pela Associação Americana dos Remanufaturadores da Indústria Automotiva nos EUA. “Estamos aqui para ter uma idéia genérica do evento, uma vez que faz parte do programa de comércio americano dar uma atenção bastante especial para o que eles chamam do “Programa dos três R”: redução dos resíduos industriais, reuso e reciclagem industrial”, explicou Robert Mühlbach, especialista em Desenvolvimento de Negócios. “Estes são os três itens que o departamento do governo americano está procurando para tratar das estratégias nesse sentido. Temos interesses em saber o que as empresas brasileiras estão procurando lá nos Estados Unidos e vice-versa”. O Serviço Comercial Americano é composto por 140 escritórios chamados centros de apoio aos exportadores, espalhados pelo mundo, e trabalham para fazer a ponte entre as empresas brasileiras e o comércio americano. No Brasil existem cinco escritórios comerciais nas cidades de São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Brasília, e Belo Horizonte que cobrem o território brasileiro contando com parcerias com associações que podem multiplicar interesses e informações, interagindo com as empresas. Além disso, por meio do site é possível encontrar orientação para conseguir estabelecer contatos e todos os serviços que o Escritório oferece.
Grande show-room
A Reman-Recon foi um grande show room para mostrar o potencial que o Brasil tem para explorar. “Enquanto a Europa utiliza 90% de peças remanufaturadas e os Estados Unidos 61%, em veículos ainda em garantia, no Brasil utilizamos apenas 6%”, compara Zauri Candeo presidente da Sindimotor e um dos organizadores da feira. “Por isso fazer um evento sobre remanufatura e reconstrução”. Segundo Candeo, devido a filmes americanos que mostram os carros sendo esmagados, a população pensa que o carro é esmagado com as peças todas. “Isso não é verdade. Quando chega naquele ponto, tudo o que é servível foi retirado”, explica o presidente do Sindimotor. Uma vez que a manutenção do veículo seja feita de maneira correta, a durabilidade de peças remanufaturadas é igual. E isso contribui para a segurança. Pois as peças que são adquiridas em desmanches não passaram por uma avaliação técnica. “As pessoas menos avisadas por não poder adquirir peças novas, vão ao desmanche e compram peças de veículos sinistrados”, afirma Candeo. “Isso é perigoso, pois elas podem ter sofrido avarias na colisão e a peça remanufaturada custa 1/3 da peça nova”. A feira vem sendo planejada há quatro anos com o intuito de mostrar o potencial que existe para ser explorado. “Por ser a primeira, foi coroada de sucesso, com todos os estandes vendidos, muito público especializado e visitantes de vários países da América Latina”, conclui Zauri Candeo. Por seu lado, Angelo Coelho, outro organizador da feira e presidente do Sindicato da Indústria de Funilaria e Pintura do Estado de São Paulo (Sindifupi), declara-se satisfeito com o sucesso da Reman-Recon, principalmente por ser a primeira do setor. O Sindifupi introduziu um conceito revolucionário e inovador na feira ao montar uma oficina de funilaria e pintura com duas cabines de pintura, fato inédito em feiras. Ela operou 24 horas por dia fazendo funilaria e pintura de 40 veículos do poder público. Esta ação foi em parceria com os fabricantes de matérias-prima. Ao final da feira, foram entregues às autoridades 44 veículos recondicionados e pintados, ultrapassando, portanto, o desafio de 40 veículos. Tal evento, totalmente gratuito para o governo, mostra o aspecto de responsabilidade social do setor.


